Moçambo - Nossa Senhora do Rosário

HISTÓRICO DA COMUNIDADE

“Com o intuito de resgatar a história da comunidade desde a fundação, procuramos realizar pesquisas com os mais antigos moradores do bairro, e ouvir histórias que nos dessem noção de como essa história de fé começou.” (Equipe de Coordenação)

moçambo 6A data certa da fundação da comunidade não é conhecida, visto que a comunidade é muito antiga, sendo uma das mais antigas da atual paróquia São José. Porém, de acordo com os conhecimentos e histórias contadas pelos mais antigos, de geração para geração, acreditamos que a capela foi construída por volta do final da década de 1920, início da década de 1930. Nessa época foi quando o bairro começou a se desenvolver e as famílias mais antigas começaram a se estabelecer nas terras do atual bairro.

Segundo os anais históricos, o fator crucial para o desenvolvimento do bairro foi a instalação da Estação Ferroviária da Companhia Mogyana, em abril de 1913. O prédio da estação ainda existe, sendo tombado como patrimônio histórico municipal. O prédio funciona atualmente como a Escola Municipal no Povoado de Moçambo. Outro dado que favorece a ideia da data de fundação da comunidade é a data de colocação do sino na torre da capela. Fizemos uma vistoria e a impressão no sino consta a data de doação à Capela Nossa Senhora do Rosário em 11 de Novembro de 1934, tendo sido doado pelo Sr. Paschoal Petreca e família. Desta data em diante, não se tem registros de nenhuma atividade da comunidade, somente as histórias orais contadas pelo povo. Entretanto, contam que a capela foi construída a fim de trazer a Igreja até o bairro, facilitando a participação das pessoas nas celebrações da fé, pois antes as pessoas tinham que se locomover até a cidade para participar das celebrações.

Com a instalação da capela foi mais fácil a presença de um sacerdote, visto que já havia então um lugar propício para celebrar missas, casamentos, batizados e outras celebrações da fé do povo. Contam ainda que a comunidade se mantinha com a ajuda da própria população local, e eram essas pessoas que auxiliavam na manutenção da capela. Alguns dos nomes desses colaboradores que passaram pela comunidade nesse tempo foram: Sr. Orgello Raggi e Dona Neusa, Dona Leonides, Sr. João Frutuoso, Sr. Armindo Almeida, Sr. Manoel Almeida.

Sempre houve o costume de se celebrar no mês de Maio, um mês dedicado a Nossa Senhora, com a reza do terço e coroação. Algumas pessoas se destacavam por serem os rezadores da comunidade, eram eles que rezavam o terço nessa época, entre eles estavam o Sr. Arlindo Madeira e Sr. José Madeira. Após essas celebrações, o povo se reunia à frente da capela, onde segundo os mais antigos, havia um Coreto, onde era feita uma espécie de festa, com leilão, e as crianças ganhavam doces dos mais velhos, etc, esse era o primórdio do que se conhece hoje por “festas de barraquinha”. Nessas festas o povo se reunia para conversar, as crianças brincavam, em meio a rua de terra batida, sem nenhuma grande estrutura, na simplicidade daquele povo. Era assim que angariavam fundos pra manter a capela arrumada, e ainda descontraiam o tempo.

É do nosso conhecimento que nessa época, a paróquia era comandada por Freis, da Ordem Franciscana, e de acordo com a história do povo, os Freis vinham uma vez a cada dois meses celebrar a Missa na capela. Nessa época, a missa ainda era celebrada em latim, no rito antigo. As pessoas vinham de longe participar e após a missa ficavam por ali, no bairro passando o tempo. Era costume que após a missa o Frei almoçava na casa de alguma família. Segundo alguns moradores, era costume almoçarem sempre na casa da família Raggi, tradicional família do bairro.

Dentre os vários freis que passaram por esta comunidade, o povo cita muito alguns como: Frei Rafael, Frei Ambrósio, Frei Raul e Frei Francisco. E ainda contam que relação entre o Frei e o povo era bem estreita. Esse tempo de assistência dos freis durou muitos anos, e por volta do ano de 1987, a Ordem Franciscana deixa de estar à frente da paróquia. Com isso chegam a paróquia os padres Francisco e Guaraciba, com eles, um novo jeito de conduzir a paróquia surgiu. Nesse tempo a Igreja já havia passado por algumas reformulações e a missa já era celebrada na língua nativa do povo, deixando o povo mais próximo da missa.

Os novos padres começam a instituir as pastorais na comunidade, formando pessoas para exercer alguns dos diversos ministérios leigos da Igreja e instituindo as celebrações da palavra nas comunidades. Com isso há um reconhecimento maior da catequese e crisma, ministros da eucaristia, ministros da palavra, pastoral dos noivos, do batismo, entre outras. A relação entre o povo e a Igreja vai se estreitando cada vez mais. No que diz respeito a coordenadores de comunidade, segundo os próprios ex-coordenadores, desde a época dos freis sempre houve coordenadores, mas antes eram escolhidas pessoas para formarem a “diretoria da comunidade”, essas pessoas eram as responsáveis por organizar as festas, celebrações, entre outras atividades.

O conceito que se conhece por coordenação hoje, surgiu com a administração dos novos padres, deixando uma pessoa como coordenador geral e outras que auxiliavam esse coordenador. Daí em diante muitos nomes passaram pela coordenação, não é sabida a ordem deles mas podemos citar alguns como,Vicente Madeira, Laércio Silva, Miguel de Castro, Joaquim de Deus, Maria Eleandra, Sergio Silva, entre outros. A partir daí a comunidade veio se expandindo, criando setores, a celebração da palavra aos domingos já era animada por um coro da comunidade, nessa época já haviam ministros da eucaristia, havia catequese com crianças e crisma para os jovens, que ainda existem nos dias atuais. Mais adianteé instituída a pastoral do dízimo.

Com o empenho de Zuleide Gonçalves de Melo, o movimento da Mãe Rainha chega até a comunidade e de lá pra cá se expandiu por todo o território da comunidade onde quase todas famílias recebem a imagem peregrina. Passado o tempo surgiu o Grupo de Oração da RCC. Mais adiante os jovens da comunidade criaram o Grupo de Jovens TUPI, que funcionou durante anos, até que se encerrou no ano de 2008.

moçambo 8A comunidade se reúne semanalmente aos domingos, e existiam algumas celebrações da fé do povo que foram preservadas nesse novo tempo de comunidade, como por exemplo as festas do mês de Maio. As festas do mês de Maria eram muito populares e eram consideradas a celebração de mais movimento da comunidade, nessa época já havendo um salão à frente da capela, onde essas festas eram realizadas. Com o dinheiro movimentado pela festa a comunidade fazia a manutenção da capela e contribuía com uma parcela à paróquia.

Nesse tempo de caminhada muitos que colaboravam com a comunidade partiram para junto de Deus, um deles que destacamos foi o nosso irmão Joaquim de Deus, que foi durante anos, animador de liturgia, ministro da eucaristia, catequista e sempre manifestava apoio a comunidade.

Com o crescimento da comunidade, padre Francisco pede aos coordenadores que colocassem todas as atividades da comunidade em um livro de ata para ficar registrado na história da comunidade. Esse livro começa a contar de 1997 para os dias atuais, os quais vamos descrever algumas atividades nesta história. O início do livro começa a contar da data do início da coordenação de Célia Regina Rocha, em janeiro de 1997.

moçambo 7No anseio de melhor caracterizar a dedicação da capela a Nossa Senhora, em novembro de 1997, a comunidade compra a imagem da Padroeira, Nossa Senhora do Rosário que foi colocada no trono do móvel do Altar-mor da capela, onde permanece até hoje. Em janeiro de 2000 Célia deixa a coordenação. Assume a nova coordenadora, Mariana Vieira da Silva.

Movidos pela fé, a fim de melhor celebrar as festividades de sua padroeira, a comunidade mobilizou-se e realizou uma grande peregrinação da imagem da Senhora do Rosário por todos os 11 setores da comunidade, no período de setembro a outubro de 2002, um dos momentos de maior demonstração de fé do povo da comunidade.

Em setembro de 2003, a comunidade realiza a reforma completa da capela, que contou com as doações de muitas pessoas. No dia da reinauguração, Pe. Francisco preside a Santa Missa em Ação de Graças.

Cheios do desejo de pregar a missão de Jesus e Maria, os Missionários Redentoristas do Santuário Nacional de Aparecida estiveram na comunidade realizando as Missões Redentoristas no período de Junho a agosto de 2004, envolvendo toda comunidade, rezando todos os dias, com missas, procissões, missãozinha para crianças, etc. Em fevereiro de 2005, Dona Mariana encerra sua coordenação, assumindo em seu lugar, Luiz Libânio Pereira.

Era junho de 2005 e a coordenação da comunidade resolve construir um novo salão para realizar festas na comunidade, sendo o novo salão maior para melhor atender às festas da comunidade que vinham crescendo a cada ano. Com o dinheiro em caixa a comunidade compra o primeiro terreno, ao lado da capela para essa construção. Ainda com o anseio de possuir o salão de festas, a comunidade mobiliza-se com a realização da Festa do Mês de Maio para angariar fundos para essa construção. Após a contabilidade da festa, em junho de 2006, a comunidade compra o segundo terreno necessário a construção. Após a legalização dos terrenos em nome da Mitra Diocesana de Guaxupé, tem início a construção do salão em agosto de 2006. Em agosto de 2007 Luiz deixa a coordenação e quem assume é José Carlos Terezinho.

Em outubro de 2007, com a vontade de promover mais oração na comunidade e agradecer por todas as graças recebidas de Deus, a comunidade realiza pela primeira vez a novena em louvor a Padroeira do Brasil, acompanhando a forma do Santuário Nacional. Dessa data em diante todos os anos a comunidade realiza esta novena, pois foi grande a participação e aprovação do povo.

Em julho de 2010, graças a ajuda de muitas pessoas, o salão de festas é concluído e disponibilizado para uso. Em agosto de 2012 José Terezinho encerra sua coordenação e assume em seu lugar Cristina Salomão e equipe.

Vendo a necessidade de melhor promover a fé do povo e difundir a devoção a padroeira da comunidade, a equipe de coordenação propõe realizar pela primeira vez a Novena em louvor a Virgem do Rosário, durante o período de 28 de setembro e 06 de outubro. E dia 07, dia da padroeira, realizar uma programação especial para celebrar melhor a festa do Rosário.Juntamente com a novena, a Festa que era realizada no mês de maio foi transferida para outubro. A equipe ainda propôs inovar as celebrações da padroeira e durante os sábados, na oração do terço e coroação, convida duas comunidades diferentes para rezarem o terço na capela, no intuito de promover a integração entre as comunidades. Ao final a comunidade fez a avaliação com o povo, e adotou esse novo jeito de celebrar a festa da padroeira para os novos tempos de evangelização.

Com a saída dos padres Ronaldo e Ademir e chegada dos novos padres Milton e Célio, os recém chegados, propõe dividir a paróquia em setores missionários, a fim de melhor auxiliar as comunidades e ainda estreitar as relações entre as comunidades. Com isso, funda-se o Setor São João Paulo II, onde se encontram a nossa comunidade Moçambo, a comunidade Patrimônio e comunidade Bananal. Reativando um setor que já havia funcionado dessa forma há muito tempo atrás. Dessa forma as três comunidades passam a compartilhar suas experiências e promovem celebrações entre o setor.

Na busca por transmitir ao povo os mistérios da fé católica, em março de 2003, com a orientação de Pe. Milton, a comunidade propõe a realizar todas as celebrações da Semana Santa em sua capela. Essas celebrações não eram costume na comunidade, visto que sempre o povo participava das celebrações na Matriz. Com a boa participação do povo, de lá pra cá, a comunidade tem realizado essas celebrações todos os anos.

Em abril de 2014, a mandado do Pe. Milton, recebemos a visita do Seminarista Matheus ribeiro, para celebrar a Semana Santa no Setor João Paulo II. Foi feita uma programação especial envolvendo as três comunidades. Além das celebrações, o seminarista visitou algumas famílias necessitadas e convidando-as para as celebrações. Foi um tempo de muita graça em nosso Setor.

Ao final do ano de 2014 a comunidade inicia seus projetos em prol das Santas Missões Populares. Iniciando em outubro com as celebrações da Virgem do Rosário, a celebração do Centenário do Movimento da Mãe Rainha, a celebração da Padroeira do Brasil, e preparando para realizar a Novena de Natal no maior número de famílias possível. Durante esse tempo de SMP, a comunidade propõe uma série de atividades para motivar a participação do povo. Aos poucos o povo vai conhecendo a proposta das SMP e devagarzinho começa a participar desse novo tempo de missão.

“Sem mais para o momento, deixamos aqui nossa contribuição para a história dessa comunidade. Buscando cada vez mais conhecer essa história e adicionar novos fatos a este histórico.”

Texto: Equipe de Coordenação Julho de 2015 Comunidade Nossa Senhora do Rosário – Bairro Moçambo

 

 

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