Barra Bonita - Santa Cruz e Nossa Senhora Aparecida

Histórico da Comunidade

INTRODUÇÃO

No ano do nascimento de nosso senhor Jesus Cristo de 2015, nonagésimo nono da criação da diocese de Guaxupé, a pedido da paróquia São José de Muzambinho, nos dispusemos a pesquisar a história da nossa comunidade Eclesial de Base Santa Cruz e Nossa Senhora Aparecida.

Uma vez tendo ouvido alguns senis moradores, contado com a contribuição de vários corações disponíveis e memórias honoríficas, redigimos estas linhas, e já asseguramos, linhas embebidas de fé e santo orgulho de uma parcela do Povo de Deus radicado nesta terrqa da Barra Bonita.

O que transcreveremos, nada mais é , que a prova cabal da profunda experiência de um povo de pele queimado pelo sol, mãos calejadas e coração simples, mas cientes das palavras do salmista: “Minha carne e meu coração podem se consumir: minha rocha e herança é Deus para sempre(Sl 72/73,26). É a história de uma comunidade composta por centenas de homens e mulheres que souberam doar pedaços de suas humanas existências para construírem um pedaço de eternidade na terra; souberam sintonizar seus corações em Deus e na intercessão de Maria e assim gravar na história humana de nosso bairro a História sagrada da Santificação.

Em suma, é a história de uma comunidade compostas por santos anônimos, que fizeram da palavra de Deus um alimento, do terço sua arma de batalha diária, da Cruz sua esperança de salvação e da imagem da Senhora Aparecida o sinal da Maternidade Divina.

De tão rica e detalhada, nossa história assemelha-se a uma territura produzida no tear de uma sábia artesã: não ousarmos dizer que esta findada, muito menos que é a história oficial, sempre há e haverá uma linha escarlate escondida; linha esta que não percebemos neste texto, mas que certamente é indispensável a história.

Esta nova pesquisa pretende ser um resgate histórico do heróico povo católico desta terra de Santa Cruz, povo este que nos presenteou com a dádiva de uma comunidade Católica. Muitos contribuíram ativamente, e muitos outros de forma silenciosa e oculta. A todos estes prestemos nossa homenagem!

ORIGENS HISTÓRICAS DA PARÓQUIA

A fé católica chegou ás terras brasileiras juntos com os primeiros colonizadores portugueses. Na data da chegada do homem europeu nas terras do Brasil, em 22 de abril de 1500, chegou também a igreja católica. A 26 de abril de 1500, Frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira Missa no Ilhéu chamado de Coroa Vermelha, e no dia 1º de maio houve a posse da terra eregido-se uma grande Cruz.

Entre os séculos XVII e XVIII começaram a aparecer os primeiros povoados na região montanhosa descoberta pelos bandeirantes paulistas, região está que comporia o atual estado de Minas Gerais. A partir de 1762, tem-se notícias das primeiras povoações ás margens dos córregos na região ao Sul do povoado de Jacuí em direção ao povoado de Cabo Verde, composto em sua maioria por quilombolas e bandeirantes. O primeiro relato da existência de um povoado na região que hoje é Muzambinho é de 1764, em sua referencia de Claudio Manoel da Costa, secretário do governador de Minas, Luiz Diogo Lobo da Silva. Em termos legais o povoado surgiu antes de 1852, e recebeu o nome de São José da Boa Vista do Cabo Verde, sendo feito paróquia em 02 de janeiro de 1866.

ORIGENS DA COMUNIDADE DA BARRA BONITA

Atualmente precisar quem foram e de onde vieram os primeiros habitantes do que hoje é o Bairro da Bonita é um trabalho dispendioso. Sabe-se que os primeiros moradores destas terras as chamaram Bairro dos Paulas, certamente em decorrência da família que aqui habitava. Também há o registro do nome de Bairro do Pantano, ou Pantaninho, para estas terras.

É certo que por volta do ano 1940 alguns moradores do bairro decidiram mudar seu nome, visto que a família que denominava já não residiam mais no local.

O novo nome esta relacionado a um fenômeno natural ligado ao encontro de dois cursos d’agua. Na região, próxima a residência do Sr. José Resende de Lima o rio Muzambinho desagua no Rio Muzambo.O Rio Muzambo nasce no município de Muzambinho, passa por Monte Belo, Areado e, desemboca na represa de Alterosa, são mais de 100Km de extenção. Segundo o senhor José Resende de Lima(Zé Bento), em certas ocasiões do ano formava-se no ponto de intersecção uma pequenina onda de água, chamada pelos pescadores e moradores de barra d’água. Devido a beleza deste fenômeno passou a se chamar o lugar de Barra Bonita, nomeando o Bairro.

A fé católica sempre esteve incutida na vida do povo, porém o bairro localizava-se a cerca de 30Km da paróquia de Muzambinho. Neste período poucos moradores possuíam um meio de transporte automotivo, sendo as idas em Muzambinho eventos raros, e quando feitos, por estradas em péssimas condições e no lombo de animais. As verdades da fé e as celebrações litúrgicas eram vividas no interior dos lares, e resumiam-se na recitação do terço, nas vigílias das festas dos Santos, chamadas “Adorações”, na piedade popular embebida de dias santos, nas tradições orais, nas práticas dos benzimentos, e em esporádicas participações nos sacramentos e sacramentais.

Ainda segundo o Sr. João Bento, seu pai, Sr. José Resende de Lima tinha o desejo de construir uma igrejinha em sua propriedade. Contudo, auxiliado pelos moradores do local, optou por construir uma capela maior para que se pudesse rezar a missa e administrar os sacramentos e sacramentais para toda a comunidade, isso era, na época, um privilégio.

Para tal empreita, o local escolhido foi o alto de um morro. As terras foram doadas pelo Sr. Emanuel Pedro(Mané Pedro), e para a construção da capela cooperaram vários moradores, que transportaram os materiais necessários em carros puxados a bois, e angariam fundos. Dentre estes podemos citar alguns como o próprio José de Lima, e os senhores Emanuel Pedro, Chico Madeira, João Balduino, Rosendo Juca, Alcino Marques, Euclides, Emílio Rodrigues e tantos outros.

A CAPELINHA E AS PRIMEIRAS AÇÕES PASTORAIS

Nas terras doadas foram construídos a capela, e posteriormente, um coreto e o Patrimonio, isto é, reservou-se uma área onde pessoas sem montantes financeiros, pudessem construir pequenas casas moradias de pau-a-pique e sapé. Destes moradores, um dos mais conhecidos foi o Sr. Antonio Fenandes, este morador, muito simples, cativou todos os moradores por uma particular ação cristã; ele badalava o sino da capela, diariamente por volta das 18:00hs, e antes de cada celebração litúrgica. Sua memória é louvada por muitos, que constantemente se recordam de sua épica personalidade.

A data da construção da capela, segundo o Sr.João Bento é entre eles os anos de 1940-1945, e o pedreiro contratado foi o Sr. Genésio, morador de Tuiuti, atual Juréia.

Após a conclusão a administração e os cuidados ficaram a encargo do Sr. Alcino Marques. Segundo o Sr.Antonio Mariano, o Sr. Alacino Marques tinha por função abrir a capela, cuidar do caixa, promover eventos para a aquisição de fundos e dirigir as orações (Teços)nos sábados. A cada mês ele escolhia um voluntário, chamado festeiro, o qual deveria buscar o padre na tarde do sábado e recolher brindes para o leilão, o qual se realizava na noite do sábado.

Quando o padre estava no bairro, realizava-se a chamada desobriga, na tarde do sábado havia um ofício religioso na capela e a noite os moradores se reuniam para uma quermesse composta de leilão e musica. Na manha do domingo o padre atendia a confissão e rezava a missa ás 10:00. A confissão sacramental e o jejum eram exigências para a Comunhão Eucarística. Vale lembrar que tais eventos aconteceram antes do Concílio Vaticano II, de forma que a missa seguia o Rito de Pio V, isto é,Vesum Deum e em latim.

Na época, moradores dos bairros vizinhos peregrinavam á capelinha da Barra Bonita empreitando viagens longas. Após a missa, se realizava o desjejum e o almoço, previamente preparados e levados para o resinto. O local preferido para asa refeições era as sombras bde grandes árvores das pastagens locais.

O MÊS DE MAIO

O Sr. João Bento relatou-nos ainda que por volta do ano 1955, morava na região o Sr. Teodoro e a Sra. Dirce sua esposa, e eram donos de uma modesta venda. Dona Dirce, sua irmã e sua prima, chamada Iolanda, iniciaram a tradição do mês de Maria, durante este mês , tradicionalmente dedicado á Virgem Maria, reuniam a comunidade para recitação do terço e organizavam uma representação da coroação de Maria feita pelos anjos. Para isso, a Sra Dirce encontrou musicas tradicionais e ensaiou suas colaboradoras e as crianças do bairro. Após as orações a comunidade se reunia para a quermesse. Essa tradição perdura até nossos dias, bem como as musicas cantadas pelas chamadas Filhas de Maria e e pelas crianças.

Dentre entras musicas transcreveremos algumas para a memória perpétua:

“Subir”

Neste mês de Maio, tão lindo mês de Maria, tão lindo mês das flores, queremos de Maria, celebrar os louvores. Dos ramos mais viçosos, poremos em seu altar, hinos de amor glorioso, vamos hoje cantar.

“Coroa”

Coroa, ofereço, com gloria infinita, saudade eterna da filha bendita

“Palma”

Aceita esta palma, esta palma da vitoria, foi feita com grande amor, pra por nas mãos da senhora.

“Descer”

Ave Maria sublime, Rainha meu Deus do céu, toda cheia sois de Graça, exclamou o amor de Deus, ó Ave, Ave Maria.

Louvemos sempre a Maria, neste mês abençoado, de mil flores adoremos, seu altar tão venerado, ó Ave, Ave Maria.

O Senhor sempre é convosco, entre um dos filhos seus, Ave Maria sublime, todo peito crê e diz: Ave, Ave Maria.

Embora o mês de Maio tinha uma profunda conotação Mariana, é uma festa cristologica que o abre: a festa da Cruz. Segundo o Sr. Armando Miguel desde 1970, a todo três de Maio, a comunidade se reúne para render glorias á Cruz. Mais a frente abordarmos esta festa milenar, herdada dos colonizadores e fielmente celebrada na comunidade da Barra Bonita.

Segundo nosso levantamento histórico, o Sr. Alcino Marquês ficou responsável pela capela por um longo tempo. Sucedeu-lhe no encargo o Sr. Francisco Madeira. Quando este deixou os trabalhos assumiu o Sr. Francisco Nicolau da Silva(Chico Rosendo). Por volta do ano de 1981 assumiu a então chamada presidência o Sr. Aristeu Marques Piza. Dentre os trabalhos por eles realizados, marcou a memória de alguns moradores o simples fato de transladar água a cavalo para a limpeza da capela, visto que no local não dispunha de nenhuma fonte aqüífera . Por este motivo, e outros, o pároco, FreI Francisco pediu que a capela fosse maisn central no bairro, e se cogitou a possibilidade de construir outra capela.

INICIATIVAS PASTORAIS DA DÉCADA DE 80

O Concílio Vaticano II (1962/1965) trouxe uma abundancia de iniciativas pastorais para toda a igreja. Dentre estas as mais perceptivas na década de 80 foram o convite para o engajamento leigo, a participação ativa do povo na celebração Eucarística, a reflexão bíblica e a catequese renovada.

Nos idos de 1980, alguns jovens tiveram a iniciativa de comporem um coral que auxiliasse nas celebrações. Este grupo sintetizou as influencia da militância da Pastoral Juventude e traços da ainda desconhecida RCC. Dentre estes jovens podemos citar Naim, Nicolau, Terezinha, Sueli, Ivanira, Sonia, Geni e vários outros.

Nesta ocasião chega a comunidade a recém-casada, Aparecida de Fátima Lima Piza (Cida do vardinho), vinda do vizinho bairro da Palestina(pertence a paróquia de Juruaia), a qual consigo trouxe a novidade Círculo Bíblico. Esta era uma proposta protagonizada pelo pároco da cidade de Nova Rezende, Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, e tinha a intenção de promover um enraizamento na Palavra de Deus e em seu método de leitura, a partir da vida cotidiana, desdobrando-se num fecundo campo de encontro, cooperação e celebração. A comunidade da Palestina já realizava tais encontros, e esta experiência foi relatada ao Frei Francisco Duarte, o qual aprovou a sua realização na comunidade. Este foi o principio dos encontros semanais da comunidade, os quais germinaram nas celebrações da Palavra.

Neste processo, soma-se a experiência da Catequese Renovada. Durante anos, as aulas de catecismo eram ministradas pelas professoras do município da na escola do bairro. Com a aprovação do documento da CNBB “Catequese Renovada, Orientações e conteúdo” no ano de 1983, toda a igreja do Brasil teve de se adequar. Na Barra Bonita organizou-se um grupo de catequistas que receberam formação e possibilitaram a existência dos encontros de catequese, inicialmente infantil e posteriormente de Crisma. Com a Graça de Deus várias pessoas auxiliaram neste processo até os dias de hoje. Para não cometer o grave erro de omitir nomes, citaremos apenas os que coordenaram esta pastoral, iniciando pela pioneira, a Sra Terezinha Maria da Silva, após ela, seguem-se: Ivanira, Sirma, Zilda, Aparecida Terra, Aparecida de Fátima, Dione Piza, Tatiane Ferreira, e atualmente a Bruna.

Ainda nesta década de 80, a comunidade enviou ao seminário redentorista alguns jovens. Desta lista recordamos o jovem Naim, o qual fomentou a vinda de outros seminaristas para a realização das celebrações da Semana Santa. Entre os anos de 1987 a 1991 vários seminaristas auxiliaram nestas celebrações. É memorável a Semana Santa de 1988, na qual se promoveu o tradicional “Quadro vivo”, isto é, a representação da Paixão do Senhor,Morte e Ressurreição de Cristo, contando com o auxilio de vários moradores.

Na questão vocacional, muitos homens e mulheres desempenharam seu ministério como leigo. No tangente á vida presbiterial muitos jovens fizeram experiências em seminários religiosos e diocesanos. Contamos com a alegria de ter um sacerdote de nossa comunidade: Pe.Emerson é pároco em Itaiaem SP, pela comunidade ,Missonária Providencia Santíssima, de Mococa SP. Sua mãe,Dona Sueli é filha do Sr Chico Rosendo e foi criada na Barra Bonita. Mudou-se para Muzambinho quando Emerson contava com sete anos. Em 23/01/2011, Pe. Emerson retornou a comunidade para celebrar uma missa. Atualmente, outro jovem realiza o processo de formação presbiterial na diocese de Guaxupé: o seminarista Dione Piza, é filho de Otamiro e Benedita, portanto, neto do Sr. Aristeu Piza, e iniciará neste ano de 2015 o ultimo ano de teologia, em Pouso Alegre. Este é o 8ºano de um total de 9 anos e meio de formação.

A CAPELA NOVA

Ainda na década de 80, no ano de 1985 iniciam-se efetivamente as obras para a construção da nova capela, próxima á estrada principal do bairro. Neste período assume a presidência da capela o Sr.Almiro do Carmo Piza.

Para a construção, Frei Francisco procurou os proprietários do terreno marcado, Sr.Osvaldo Francisco Piza (Vardinho) e Sra.Aparecida de Fátima, propondo-lhes que trocassem a propriedade da atual capela por outro, mais central. A proposta de troca foi recusada, sendo o terreno inteiramente doado.

Para a nova construção os fundos provieram do caixa já existente e da promoção de vários eventos sociais, como listas pedindo ajuda e promoção de leilões de prendas e de bezerros. Cooperaram ativamente os bairos circunvizinhos, a saber, Macaúbas, Alves, São Domingos, Ponte Preta, Palestina, Macacos, Cachoeira do Pinhal e outros. Ainda no inicio da década de 90, a propriedade pertencente á antiga capela foi vendida ao Sr. Osvaldo Francisco Piza para a aquisição e assentamento do piso.

O período de construção é permanente. Marcamos como grande ultima obra de construção, e possível obra de conclusão da capela, a ereção da torre que orna a sua frente, em 2002. Muitos tijolos desta torre vieram das paredes da primeira capela, assim fora gastos cerca de 17 anos para edificação.

AS GRANDES EVOLUÇÕES DOS ANOS 1988/1989

Os anos de 1988 e 1989 testemunharam grandes evoluções na eclesiologia local. Com o findar do contrato entre a diocese de Guaxupé e Ordem Franciscana, a paróquia de Muzambinho deixa de ser administrada pelos freis e passa para os padres diocesanos. Para este processo de transição Frei Francisco já cultivava a organização da paróquia na estrutura de Comunidade Eclesial de Base(CEBs). Com a chegada do Pe. Francisco dos Santos e Pe.Guaraciba Lopes Junior o processo continuou.

A maior transformação foi a organização da comunidade. De agora em diante, a coordenação da capela se separava da presidência da associação de bairro, embora os membros fossem os mesmos. Quem assume a nova coordenação da comunidade é o Sr. Antônio Carlos.

Nos fins de 1988 iniciou-se o processo para a realização das Santas Missões Popoulares Redentoristas. Para isso a comunidade foi dividida em 03 setores, coordenados pelo Sr.Almiro (setor 1), Sra.Aparecida de Fátima (setor 2) e Sr. Nivan (setor 3). Estes setores organizaram a preparação para a vinda dos padres redentoristas em março de 1989. Na ocasião, fizeram parte dos setores da comunidade da Barra Bonita dois outros setores do bairro Córrego dos Alves, e um do bairro da Palestina, território da paróquia São Sebastião de Juruaia.

As mudanças trazidas por estes anos foram significativas. A comunidade contou a partir daí de então com uma ampla estruturação. Houve um aprimoramento e o fortyalecimento de pastorais e movimentos já existentes e a criação de outras. Os setores, no pós missão, se reuniam semanalmente para a oração do terço e a meditação da Palavra de Deus. Já em 1988 a comunidade passou a contar com Ministros da Eucaristia, sendo os primeiros o Sr.Antonio Carlos e a Sra.Aparecida de Fátima. Estes receberam formação pastoral em um curso ministrado por Dom José Alberto, em Guaxupé. Desde então, mesmo sem a existência de um sacrário para a conservação da Eucarístia, a comunidade contava com a celebração da Palavra de Deus, sendo as primeiras celebrações deste caráter realizadas por pessoas vindas de Muzambinho, como por exemplo o Sr. Ailton e a Sra. Helena Dipe . Só em 1991, a comunidade contou com um sacrário, podendo conservar a Eucarístia e ministrar o Viático. De então, até os dias atuais, serviram e servem neste ministério os ministros Orlando, Kido, Oswaldo, Nivan, Saulo, Almiro, Edirlei, Rosilda, Giovana, José Ricardo e Ivani.

Com nova concepção de coordenação eclesial, depois do Sr.Antonio Carlos, estiverem à frente dos trabalhos pastorais os coordenadores: Almiro e Nivan (1992); Evandro, Saulo, novamente o Sr. Almiro, depois Isaias e Cássia, novamente Antonio Carlos E a Sra. Aparecida de Fátima e atualmente continua o Sr. Antonio Carlos.

O IDEAL DA CEBs DA DÉCADA DE 90

Uma das prioridades paroquiais foi a implantação da estrutura da CEBs. Esta estrutura pauta-se na organização da paróquia em pequenas comunidades, de caráter semiautônomo, onde se previlegie a compreenção de igreja como Povo de Deus, a comunhão profunda entre as pessoas e o protagonismo leigo na ação pastoral. Como forte teor bíblico-libertador as CEBs assumiram o profetismo e a missão social.

Um sinal claro desta nova mentalidade foi a construção de uma identidade para a comunidade. Ofator mais importante foi a escolha de um padroeiro que caracterizasse a vida religiosa do povo do bairro. Todas as capelas da paróquia veneravam Maria Santíssima com o título de Aparecida. Com a devoção à Nossa Senhora Aparecida é uma forte e piedosa tradição, decidiu-se conservar seu patrocínio e somar as honras preservando outro costume que é a festa da Santa Cruz. Assim definiu-se por patronos Santa Cruz e Nossa Senhora Aparecida e se conservou a data do dia 03 de maio.

A comunidade gerou várias ações pastorais e sociais na década de 90. Dentre estes destaca-se a formação das lideranças e dos membros de pastoral, a e fervecencia bíblica, a inclusão de jovens e adultos JUD (Jovens Unidos a Deus) em 1998 e o zelo pela liturgia. Neste quisito destaca-se a Sra. Zilma Resende, que por anos motivou a todos para a participação afetiva e efetiva das ações litúrgicas, seja na promoção de eventos, na ornamentação da capela, nos trabalhos da alfaiataria e na elaboração de comentários e textos litúrgico-pastorais como era de costume.

O jubileu do ano de 2000 foi devidamente preparado e vivido, particularmente na missão popular organizada pela comunidade Providencia Santíssima, da cidade de Mococa-SP.

No ano de 2004 outra missão Redentorista movimentou a comunidade. Durante meses as lideranças participaram de formações e durante um mês realizaram a chamada pré Missão com encontros diários nas casas dos moradores, procissão com o andor de Nossa Senhora Aparecida e recitação do terço. Como marca da semana Missionária, ergue-se ainda, ás portas da Igreja um cruzeiro com a inscrição “Unidos em Cristo”.

ATUALIDADE: SOMBRAS E LUZES DOS DIAS DE HOJE

Atualmente a comunidade Santa Cruz e Nossa Senhora Aparecida mantém-se viva, convidando os moradores do bairro à vida de oração e ação eclesial.

Contudo algumas sombras perturbam a vida da comunidade: verificamos um “esfriamento” coletivo. Isso deve-se, sem duvida, ás transformações culturais pelas quais vive toda a sociedade. Segundo o Documento de Aparecida no nº44 “vivemos uma mudança de época”.Em comparação com a década de 90, há um número reduzido de membros que atuam nas pastorais. Isso dá-se devido a diminuição de moradores, o êxodo rural, a redução do número de jovens no bairro, a ausência de tempo livre devido aos trabalhos desempenhados pelas jovens e senhoras na cidade de Juruaia, o reduzido número de filhos das famílias, o maior numero de capelas nos bairros vizinhos, o envelhecimento natural dos moradores do bairro e outros fatores.

Mas não obstante a isso a comunidade segue corajosamente em frente. Atualmente contamos com os seguintes ministérios leigos: Coordenação eclesial, MECEs, Pastoral Catequética, Pastoral do Dízimo, Equipe de Canto, Equipe de limpeza e organização do espaço Liturgico, equipe de liturgia, Movimento da Mãe Rainha e Pastoral da Comunicação. A vida religiosa nos setores missionários desperta em todas as Campanhas da Fraternidade e nas Novenas de Natal. Soma-se uma inovação da Novena de Nossa Senhora Aparecida, o tradicioanal mês de Maio mantém o mesmo entusiasmo e o peculiar clima devocional e fraterno.

CONCLUSÃO

Altaneira mais que qualquer árvore, ergue-se a Cruz em nossa comunidade. Como já supragrafado, estes relados por nós redigidos não formam a única e verdadeira história deste povo: cada rosto esconde em sua fisionomia um algo a mais. Contudo esta nova pesquisa é um brando de vitória e de esperança. Vitória de tantos católicos que vislumbram seus sonhos de construir uma casa para Deus e para seu povo. Esperança de que, contemplando o passado, valorizemos nossos antepassados e mantenhamos erguida a cruz de Cristo, pois “enquanto uma cruz estiver de pé ainda haverá esperança”. Ser comunidade é cooperar com a santificação do outro e com a construção do Reino de Deus. Apenas isso. Pois o resto nos é dado por acréscimo(Mt6,33).

Que Maria Santíssima, nossa mãe, nos fortaleça e nos anime em nossa missão de ser o povo da terra de Santa Cruz.

A PARTICULARIDADE DA FESTA DA SANTA CRUZ
GENUÍNO FRUTO DA FÉ E DA TRADIÇÃO

ORIGEM HISTÓRICA

A origem da celebração da Santa Cruz está ligada a era constantina. Segundo a história contada por Eusébio, em 312, Constantino aliou-se a Licínio para combater Maximiano Daza e Maxênio. Derrotando-os marchou sobre Roma e conquistou-a após ter visto nos céus uma cruz flamejante acompanhada da frase in hoc signus vinces(com este sinal vencerás). A história afirma que Constantino mandou que se fizesse da Cruz sua bandeira.

Em 313, o já imperador Constantino, promulgou o Edito de Milão garantindo a liberdade do culto cristão em todo império romano. No mesmo ano de 313 , Santa Helena, mãe de Constantino, assumiu a missão de buscar a verdadeira cruz onde morreu Jesus Cristo. Dirigiu-se a Jerusalém e com a ajuda de alguns sacerdotes, encontrou no Monte do Calvário, no dia 03 de Maio, a verdadeira Cruz de Cristo. Em torno do ano 350 a cruz passou a ser considerada símbolo sagrado do cristianismo, iniciando seu culto em toda a igreja, pois lembra o modo e o instrumento que Cristo escolheu para salvar os homens, sendo o dia 03 de maio consagrada a esta memória, até a mudança do Concílio Vaticano II em 1962, reservando o dia 14 de setembro para a festa litúrgica.

No Brasil, o culto à S anta Cruz esta entranhado na história, pois nosso país nasceu sob o signo da Cruz. Quando foi descoberto em 1500, recebeu o nome de Ilha da Vera Cruz, posteriormente Terra de Santa Cruz. No dia 01 de Maio de 1500, Cabral plantou na terra uma grande cruz, celebrando se ai a primeira missa em seu louvor no dia 03 de maio daquele ano. Com a catequização Jesuíta e Franciscana o cruzeiro fez parte da vida das primeiras povoações. No dia 03 de maio de 1957 se celebrava a primeira Missa em Brasília, nova capital brasileira, a qual juntamente com toda nação foi abençoada pelo Papa Pio XII.

A FESTA DA CRUZ NA BARRA BONITA

As tradições portuguesa e espanhola são ricas de ritos e significados para celebrar o dia 03 de Maio. Na Espanha, por exemplo, constrói se cruzes com flores, que são levadas em procissão pelas ruas.

A Festa da Cruz iniciou nesta comunidade no fim da década de 1960.Nesta época vários bairros da região, como Córrego do Monjolo, Valerianos, Sanharão e outos, já a celebravam em todo três de maio. O ritual era simples: o dia da festa era precedido de uma novena, isto é, nove dias seguidos de oração, e no dia três de maio, após a recitação do terço, se erguia um mastro adornado com flores e encimado com a bandeira de Santa Cruz. Após era feita partilha de doces.

A origem desta tradição de partilhar doces é desconhecida. Supõe-se que sua origem seja da época colonial ou até mesmo da Idade Média. De fato é fácil estabelecer uma ligação entre a redenção conquistada e das doçuras das iguarias: Pela Cruz, Jesus libertou o homem da amargura do pecado, inaugurando a nova páscoa. Outro dado notório é a inculturação. Nossa região tropical é abundante em frutas propícias para a produção de doces, além da fartura leiteira de nossa região. Este dado, somando as copiosas habilidades culinárias das senhoras residentes, favoreceu para a tradição da confecção de doces e sua partilha.

No fim da década de 1960, este costume foi traduzido para o bairro e celebrado em uma cruz próxima a divisa com o bairro da Cachoeira do Pinhal, nas terras hoje pertencentes ao Sr. Evaristo, contudo neste local o costume não continuou.

Segundo o Sr.Armando Miguél,que foi responsável pelos primeiros sete anos, no ano de 1970, decidiu-se faze-la novamente no Bairro da Barra Bonita, contudo, desta vez mais próximo do centro do bairro, nas propriedades do Sr. José Matias da Silva(Zé Rozendo). Neste local era feita uma mesa de bambu e após a recitação do terço se partilhava os doces e pães arrecadados.

Esta festa conta com a contribuição de muitas pessoas. Meses antes da festa, listas são emitidas com a finalidade de se angariar os donativos necessários:latas de doces de 10 litros, açúcar e dinheiro.

Tempos depois, com a construção da nova capela e sua estruturação, a festa foi transferida para o espaço ao seu lado, onde é realizada atualmente.

Curiosamente, segundo o Sr. Armando, a princípio não havia missa. Contudo principalmente com as chegadas dos padres diocesanos, iniciou-se este belo costume, após a celebração Eucarística, se forma procissão que leva a Cruz para ser hasteada na “Igrejinha”.

Também este local é marcante. No bairro, a alguns metros da capela, existe uma típica capelinha ou igrejinha, de beira de estrada. É que acontece a Novena da Cruz, além de marcar o percurso de várias procissões da Semana Santa. O lugar da capelinha é próximo ao ponto que aconteceu um fato que sensibilizou a comunidade.

Nos idos de 1975 um senhor andarilho, muito conhecido na região, o Sr.Joaquim Soares Valentim, natural do bairro dos Paivas, no município de Monte Belo, protagonizou um episódio notório. Joaquim Broado, como era conhecido, era alcólatra compulsivo. Certa vez, estando na venda do bairro, lhe ofereceram por gracejo, farinha de milho e pinga. Uma vez tendo comido, o Sr. Joaquim Broado saiu do resinto e caminhou alguns metros onde caiu e faleceu.Os moradores afirmam que a morte foi em decorrência do prato oferecido, e supõe que o homem sofreu as dores e desconfortos a noite toda, abandonado e esquecido. Este fato marcou profundamente, no lugar onde ele faleceu, foi levantada uma cruz de cedro, a qual posteriormente foi transferida e é neste local, bem próximo ao da morte do Sr. Joaquim Broado, que se ergue a Igreja da Cruz.

A festa da Cruz é a celebração da comunidade. Durante nove dias os moradores se preparam com orações e cânticos. Destes transcreveremos a mais marcante, praticamente, o próprio hino da comunidade:

1:Bendita e louvada seja , no céu a Divina a Luz; e nós também na terra louvemos a Santa Cruz.

A festa da Cruz é a celebração da comunidade. Durante nove dias os moradores se preparam com orações e cânticos. Destes transcreveremos a mais marcante, praticamente, o próprio hino da comunidade:

1:Bendita e louvada seja , no céu a Divina a Luz; e nós também na terra louvemos a Santa Cruz.

2:Os céus cantam a vitória de nosso Senhor Jesus, cantemos também na terra louvores a Santa Cruz.

3:Sustenta gloriosamente nos braços o bom Jesus, sinal de esperança e vida o lenho da Santa Cruz.

4:Humildes e confiantes levemos a nossa Cruz,seguindo o sublime exemplo de nosso Senhor Jesus.

5:É arma em qualquer perigo, é raio de eterna luz,bandeira vitoriosa, o Santo sinal da Cruz.

6:Ao povo aqui reunido, daí graça, perdão e luz, salvai-nos ó Deus clemente, em nome da Santa Cruz.

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